Efeito bola de neve do cartão: por que o rotativo multiplica dívida em 90 dias
Pagar o mínimo parece controle. Na verdade, é como funcionam juros compostos — contra você.

Rotativo do cartão é o crédito mais caro do mundo. Sério, do mundo. CET médio no Brasil em 2026: 445% ao ano. Pra efeito de comparação, agiota de bairro costuma cobrar entre 100% e 200% ao ano.
Por que o Banco Central permite isso
A regulação limita rotativo a 30 dias. Depois disso, o banco é obrigado a oferecer parcelamento (que também é caro, mas menos). Só que:
- Boa parte das pessoas não entende a diferença entre rotativo e parcelamento da fatura
- Muitos aceitam o parcelamento automático, que tem CET próximo de 180% ao ano
- E voltam a usar o cartão, acumulando nova fatura em cima da parcelada
Resultado: dívida de R$ 2.000 vira R$ 4.800 em 12 meses, mesmo pagando o mínimo todo mês.
A conta real
Fatura de R$ 2.000. Você paga só o mínimo (15%, ou R$ 300). Pensa que está pagando.
- Mês 1: Saldo R$ 1.700 × 1,15 juros = R$ 1.955 pra próxima fatura
- Mês 2: paga R$ 300, saldo R$ 1.655 × 1,15 = R$ 1.903
- Mês 3: paga R$ 300, saldo R$ 1.603 × 1,15 = R$ 1.843
Em 12 meses, você pagou R$ 3.600 em "mínimos" e ainda deve R$ 1.400 — mais da metade do original. E essa conta assume que você não gastou mais nada no cartão. Se gastou, soma por cima.
Como sair
Única saída matemática: tirar a dívida de dentro do cartão. Pegar crédito pessoal com CET anual entre 30% e 60%, quitar o cartão de uma vez, e pagar a parcela desse novo crédito.
Mesmo CET de 60% é 7x mais barato que o rotativo de 445%. Você passa de "pagar pra sempre" pra "quito em 24 meses".
Importante: depois de tirar a dívida do cartão, não volte a usar o cartão parcelando o que você não pode comprar à vista. Sem isso, a bola de neve volta a rolar — agora com crédito pessoal + rotativo ao mesmo tempo.